VIII colega novo tem que fazer favor?

‘Oh dear Endimion Lee,’ she sighed. ‘You have an author’s heart. Such sweet romances will you write, and love me in the very ink they’re wrote in.”

Steve Moore, Somnium

 

Antes de qualquer coisa, voltemos a nossa tradicional honradez entre autor e leitor, comigo dizendo que esta é a primeira vez em algum tempo em que me sento compromissado a escrever. Passo a maior parte do tempo enfiado no jornal, conversando com Tompinhão-Coelho sobre a web-série (a qual ele já tem um título: Os arames da cerca), fumando maconha com Pernalonga, bebendo cachaça com Zacarias e seguindo a mascarada onde a encontro, como nesse falso agora (onde estaria olhando para ela enquanto olho para o tapete de Corpus Christ, se não estivesse realmente aqui, pegado no teclado).

Macuco é esta área de exclusão magnifica, inconsciente da própria grandiosidade e possuidora de um ou dois segredos sinistros que poderiam arrancar o tampão do mundo, caso fossem revelados. Bem, provavelmente nada tão dramático, mas certamente há coisas a serem esclarecidas.

Se tocando anu para Cantagalo é o equivalente desse polígono seco da serra fluminense para a deriva situacionista e se um bêbado local desenvolveu seu próprio método psicogeográfico, eu também posso me aventurar em encontrar paralelos culturais em certos elementos de Macuco.

Creio ter encontrado um correlato ao alemão de doppelgänger (e ao irlandês fetch, que aprendi com o Warren Ellis). O lobisomem é quem cumpre este papel aqui, o do duplo maldito, a imagem pegada ao espelho, a culpa no fundo dos olhos… A cidade, por si só, tem me apresentado duplos diversos, mas é o lobisomem que se destaca.

O principal é que o lobisomem verdadeiro, aquele que padece da maldição de ter que se transformar, perder-se em outro ser aflorado de si mesmo pela duração de uma noite, forçado a voltar à outra vida, aquela que fora normal e agora era tão cheia de culpa… Bem, este lobisomem carrega o peso sozinho, quase sempre nas sombras, sempre sem ser identificado.

Muitos suspeitos, nenhuma certeza. Algumas histórias coincidem, mas quase sempre, quando se reúnem decididos a dar cabo do monstro, os relatos que surgem daí não são capazes de fazer jus à realidade. O lobisomem é, na maioria das vezes, fruto de uma histeria coletiva.

Em Macuco pude verificar diversos relatos de ataques de lobisomem, mas nenhuma se compara aos da década de 70, quando durante algum tempo o medo do “Diabo da Noite” dificilmente era vencido por caminhadas noturnas. Conseguiram grande espaço na imprensa carioca, noticiando ataques da criatura que teria ressurgido como uma vingança do sobrenatural por conta da derrubada de algumas árvores para uma reforma na praça no centro do então distrito. As histórias eram todas factoides, exageros e invenções que, pelo menos, serviram para firmar o nome do lugarejo, que já sonhava com uma emancipação.

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