XIII Tateando o tatu

Depois da minha experiência recente com cogumelos, tomei a decisão de ficar alguns dias de molho, longe do ramalhão político e religioso em que essa cidade pensa habitar. Assim sendo, me fechei contra a viagem do meu estimado Tompinhão quanto a começar um jornal novo e também as sandices de Furquinha, meu empregador. Em outras palavras, meti-me a um mandrião de primeira categoria.

Esses dias parados não me foram muito uteis, comigo deixando vários assuntos pendentes, inclusive minha conquista da mulher mascarada. Mas, ao menos, recebi visitas dos meus amigos recém-feitos, que vieram me contar diversas histórias e novidades. Entre elas, uma que me chegou tarde demais, foi a do feito de Pernalonga para conseguir um tatu.

Aparentemente, eu estava presente durante o ocorrido, mas não sou capaz de me lembrar. Segundo me relataram, tudo aconteceu enquanto voltávamos da Comunidade Santa Maria, onde atualmente vive Lagarto, auxiliando o padre Hosana no cultivo da planta que dá nome ao lugar.

Parece que Chiquim enxergou, através da fumaça e do vidro fumê, um tatu caminhando pela estrada de terra ao lado do carro. Antes que qualquer um dissesse qualquer coisa, parece que Pernalonga já tinha saltado do carro e voado sobre o tatu.

Mas parece que há toda uma metodologia nessa coisa de se saltar sobre um tatu, porque o bicho, além de maior do que normalmente se espera, tinha força descomunal nas patas, virando-se com força para fugir, jogando a si e Pernalonga para dentro de uma vala ali perto, onde eles se engalfinharam, no frio e na noite, por alguns minutos, até que Perna finalmente conseguiu dominar o bicho, trazendo-o arrastado até o carro. Foi quando começou a briga com Chiquim, que perguntou por que ele não matava logo o bicho.

Pernalonga teria dito que preferia deixar o tatu no quintal por um tempo, “pra engorda”. Chiquim era contra, apesar de gostar da ideia de comer o bicho, dizendo que manter um animal silvestre preso poderia deixá-lo em maus lençóis. O tom da discussão dos dois não foi captado por mim, apesar da seriedade – mas o que mais me impressiona é que eu não consigo me lembrar de ter viajado com um tatu no colo.

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